A L-Carnitina emagrece e aumenta a resistência?
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A L-Carnitina

“Será que a L-Carnitina emagrece e aumenta a resistência?”

 

Ao longo da minha carreira, principalmente na década de 80 e 90, acompanhei muitos atletas que na sua suplementação alimentar recorriam à Carnitina para emagrecer. Segundo muitos atletas, a L-Carnitina supostamente ajudava à mobilização das gorduras e deste modo faria emagrecer e aumentaria a resistência. Mas será que é mesmo assim?

Nada disto corresponde à verdade. A L-Carnitina acelera o consumo de proteínas pelo organismo o que conduz a uma perda muscular.

- A L-Carnitina supostamente ajuda à combustão das gorduras

Poucas substâncias foram objecto de tantas críticas e de controvérsias como a L-Carnitina: Apresentada em determinada época como um produto milagroso capaz de estimular a combustão das gorduras, permitiria assim emagrecer mais facilmente e aumentaria a resistência, visto que, solicitando mais reservas adiposas, o músculo conseguiria economizar um combustível mais raro, o glicogénio. Isto valeu-lhe uma imensa popularidade quer junto dos atletas do fundo e meio fundo, como no meio do culturismo, onde era utilizada na fase terminal de preparação.

Do que é que se trata exactamente? Na realidade, o estudo detalhado dos cerca de setenta trabalhos consagrados até hoje a esta substância põe totalmente em causa o valor da L-Carnitina. Admite-se hoje em dia, que ela não permite aumentar a participação das gorduras no fornecimento de energia durante uma actividade. Não é pois a arma milagrosa do atleta em preparação para uma maratona ou uma prova de trail.

- Não provoca efeito nas gorduras, mas leva à perda muscular

A questão levantou-se quando uma equipas de investigadores abordou o interesse da L-Carnitina sob um novo ângulo. A sua ideia consistia em investigar-se, numa situação de esgotamento glicogénico (quando o "depósito" de açúcar do músculo esta vazio), o fornecimento de L-Carnitina podia aumentar a utilização de gorduras pelo músculo. A substância era fornecida durante 7 dias numa proporção de 3 gramas, em que metade dos indivíduos que participavam no teste recebiam um placebo. Os resultados revelaram que, nos dois casos, quando o combustível "super" se esgotava, a contribuição das gorduras quintuplicava. Pelo contrário, com ou sem L-Carnitina, os números não divergiam. Como consequência, no caso de atletas bem treinados, a L-Carnitina não activa a utilização das gorduras, mesmo quando o glicogénio é completamente consumido. Descobriu-se, pelo contrário, um efeito secundário mais perturbante que poderia explicar o facto de, em certos casos, o consumo maciço  e prolongado deste produto poder levar à perda de peso:

O grupo que tomava carnitina eliminava mais aminoácidos e resíduos provenientes da degradação das proteínas. Pensa-se que o excesso de L-Carnitina inibe a assimilação de certos aminoácidos, isto é, os constituintes de base das proteínas, o que a prazo pode conduzir a uma perda da massa magra, sobretudo nestas condições do esgotamento do glicogénio. Com efeito, nesta situação particular em que as reservas de açucares não são suficientes para fazer face à procura energética, uma parte das proteínas corporais é consumida para fornecer calorias. Assim, mais do que "queimar gorduras", dever-se-ia falar em "queimar músculo". Todas estas informações deveriam conduzir a uma reflexão por parte de todos aqueles que continuam a acrescentar a L-Carnitina à sua alimentação para perderem peso.

 

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